Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

A TOCAR AS DOZE PONTAS DO CÉU
A tocar as doze pontas do céu
Inflama e clama peito cioso
No meio-dia dum afã achacado
- tenores em polvorosa –
Furto a mais leda rosa em prol da essência
No limiar do entojo pela humana raça
- sem raça, vira-lata.

Através da alma brejeira, límpida como a lua
Antepasto mais quente a cada átimo do pensar – haja penar!
Horas a fio e o caviar embucha
- há sangue nas covas do dentes –
Por falar em covas, elas aguardam boquiabertas, balbuciam
Seu mensageiro, o tédio, já me trouxe o convite:
Expulsei-o!

Por estas escadas sem degraus, abro mão dos cadarços que apertam
Ficando mais interessante a atmosfera apocalíptica
Veia do pensar; noite sem ninar, abóbora
Resto celeste de estrela juntando os lamentos (na abóbada)
A findar, desleixadamente, o tormento
Quando o copo repleto se avizinha e me põe deveras tredo.

São as esferas da vida em paletós de linho
Que nos amolgam fortemente até romper com nossas forças
Dentro duma reza louca, profana e um com olor de enxofre
Passa perto a imagem da dor desfalecida há pouco
Enojo-me, mas é nada
Movo força extrema a me untar novamente
Esta é a primazia que nos embute a vida.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 27/08/2008
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