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Poesia é...
É vida, insere-se no âmago
É luz, é amor, calada ou envolta em pranto. Sagaz, audaz, feroz em livre sentimento atroz Névoa tênue abrandada, resquícios de solidão A razão dos sentidos e a bruma dos tempos. Pensar em poesia é surpreender-se em euforia É inteirar-se em pleno corpo ausente É estarrecer-se com acalentos esguios. Aos balbucios flagrados de tédio Introduzir sua espada aguçada e implacável Transbordar o peito com primórdios coronários E tecer em portos vagos, as velas que ascendem ao ego. Versejar as dunas, as árvores, os cândidos ares As inquietações do homem carne Bem como as fraquezas e aversões incorpóreas. A poesia reluz, instiga o nobre e o insolente Desaloja aos montes, veias pútridas ou pungentes Mas encoraja ao máximo, os extremos ardentes. Esculpida em palavras, respira com gás perene E faz renascer o fórceps da humanidade presente Que aos poucos o desprestígio acompanhado Esvai-se em fumaça inconsciente Disseminado ao léu, a poeira descrente. Falar em poesia é, sobretudo, semear o amor A caneta, o lenço úmido, o vazio a aguardar A noite a calar o som e a vida a engatinhar. Tentar compreender as carícias aveludadas Reagir ao intróito de modo íntegro Como contemplação à aurora reluzente. Poetizar é profetizar É respirar profundo, paisagens bucólicas Enaltecer paixões, despidas de gestos Mergulhar na história, paródias infundadas Resgatar os ânimos, vísceras dilatadas. Poetizar é exteriorizar É exaltar o belo e, acima de tudo Embriagar-se com a vida.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 13/06/2006
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