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Minha História
Aquela flor de gerânio que pra ti plantei no fundo do quintal e cultivei durante todo esse tempo, finda a arriar a pétala solitária.
Desde a tua partida – representou-me a eternidade, num ócio minguado às esconsas – imaginei nosso amor ter ganhado uma pausa, pedido uma vírgula. Então, chorei e jurei perdoar-te, se, para mim, voltasse trazendo nos lábios o sorriso cândido, se tornasse a somar comigo os dentes e, sobretudo o coração. Às tuas amigas, caso ainda as tenha em boa conta e volte num futuro a sapatear pelas bandas de cá, poderá indagá-las da irrestrita dedicação e do caquético desespero deste achacado e, assim, saberás o quão inconsolável estive nesta imparidade de vida, a contar do cru bilhete que me deixastes. Que diga o café da manhã, triste e desamparado ao céu da Paulicéia, engrossado às generosas doses de fel e acético, em cuja cena, viu-me roto trapo em respiração ofegante, exigindo no início e suplicando ao final, o teu incerto retorno... Não aspiro com a presente, um cognitivo do âmago perdido, nem tanto uma compulsão a qual me escolhera o destino. Peço apenas o meu pleno afastamento, na intenção de despejar minha consciência... Das injúrias produzidas, não lhe prestarei as devidas contas – e não são assim tão devidas! –sepultá-las-ei em cova profunda e sombria. Agora, que sei não ser digno de ter-te, e para mim resume o teu pensamento, escaldo-me na vida, mas não deixarei de perquirir a felicidade onde quer que seja e Oxalá a encontre. Iludi-me, enganei-me muito, porém não será renitente um leve equívoco em meu corajoso aprendizado. Às pestes vividas desaconselham-me aguardar por clemência, nem tampouco anseio que me olhem os de fora com as vistas turvas, piedosas ou reticentes a atingir cúmplice consolo. Que as lágrimas e as dores pejorativas, as quais porventura venham a abater-te o peito, unam-se a te revelar, não hoje, mas um dia, pois a eterna querência de tua rutilação e o odor sobrevivente emanado nos cães dos momentos hão de acalmar-me internamente. Nego-me cegamente ao arbítrio divino e coloco de toda a dor, uma alíquota neste papel, antes inexpressivo, cujo significado que se lhe agrega, oculta em linhas tortuosas, a derrota e o desengano dum mártir, porém nutrem o júbilo dum guerreiro e celebram o descarrego duma alma.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 15/06/2006
Alterado em 13/09/2006 Copyright © 2006. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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