Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

Secreto Lamento
Estava só.

Respirei vezes em solavanco
Alternei as cheias com solar encanto
Espero assim, seguir os dias
Sem lenço, nem pranto.
Nuvens se apagam, esvaem-se como outras
E poucas restavam
Em poças estavam
Cego acho-me, deixando expandir
Permitindo-me, memórias a despir.
Protelei as notas
Violinos e vozes sem coração me continham
Era imensa selva em torno, virgem e parasitada
Ecoou xingando.
Os purês, as maçarocas de frases
Deve-se muito ao arcabouço frágil e itinerante
Suspirei os minutos simples na batelada dum afeto
Outros acordes faziam revoar abutres
Os mais moles e tendenciosos que por ali haviam
Não os neguei, apertei-os como a um mudo braço
Aportei-os num senhor de capote
De espaço, fundei labirintos, aqueci-os

O sol de intruso.
O vento ausente atendia a outro chamado
Debandou sereno, compelido
Estive só, num átimo, bem pouco
Necessário foi, fulgurou
Calafrio insustentável, insuportável
Hão de se achar as pedras em quedas
Nas paredes e nas frestas
Da manhã acinzentada
Secando cinco gotas dum orvalho não poético
Derretendo as infâmias do tempo,
Roto, leso, íntimo e verossímil.
Sabia tudo, tinha-o por mim,
Inteiro, incondicional.
Eram pétalas, de fragrâncias ímpares
Intocáveis.
Era saliva a escorrer,a acirrar conflitos
Derreteu linfa em jóia
Na raridade da Terra

Temer...
Não me era permitido
Pendia ali, na alcova
Tendo de alcunha, o louco, o psicótico
Entorpecendo lamúrias, abismos renitentes.
De tiro em pólvora,
Queimei os sonhos, esparramei os miolos.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 16/06/2006
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