Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

Pescoço na Madrugada
Aulidos às portas da crescente
Os jazigos a ferro e dente
Apartavam os que repousavam
Da maioria dos que marginavam.

Ruidoso o cio plangente
Entregue à vasta mãe sombria
Uma cava rasa e esguia
Aguilhoava o fio da mente.

Fétido odor ao desagrado
Acutilava, inchava e ardia
Os membros rijos, temerosos  
Audaciosa vilania.

Menores fontes de saber
Auspiciosos já se tinham
No chilrear mórbido da cigarra
Se o trouxesse passarada
Vã serenata a exercer.

Na omoplata, a gira alerta
Lúgubre seita e tensa
Pactuando a eternidade certa
O contorno, perca ou vença.

No amolado do machado
Rola, pinga a cabeça oca
Sorvendo a sede do pecado
O escarlate flui da boca.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 27/06/2006
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