Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

Tudo em Nós
Além de meus inescrupulosos odores, tementes inertes
Sobramos nós, respectivamente, entre nós e o nada a afagar.
Tínhamos tudo para aspirar e sentir
Muito sentir era necessário às artérias
E as sangrias se fizeram heróicas e poéticas.

Mas, nem sempre dotávamos dessa lucidez, dengosa e apática
Quase tinhosa, quiçá esquemática
Marcando réplicas de dias incolores,
E os amores?

Eram-nos internos sóbrios e em pós de ínterins
De gestos impiedosos e de humanos calos ardidos, assaz empelotados.
Tinha de leite morno, o modo patético de sangue ressequido do meu cais.
Eram mais.

Todos ali espreitavam a cabana da fera
Derramavam, sentimentalmente, as raspas de ódio das majestosas epopéias e Vísceras no quintal, a fofocar, a marotear.
Não nos davam a devida glória... Oh! Nozes impudicas.

Então, havíamos de persistir
Casebres de sapês ali e nos mananciais, amor
Intenso e roto
Sendo solto, nos lares sem dono, embora intactos
Negavam, e auspiciosos, riam
Gargalhavam de nós nas mais tênues e vorazes vozes
Onde o tílburi levou e, de seda, o chambre tapou.

Essas vergonhas que o corpo incorpora nas margens plácidas da aldeia indócil, apolítica.
Matérias-primas de zumbidos,  
Meros timbres de metais tocavam a fundo nossos mais vulneráveis perfeitos.

Andamos e caminhamos insolúveis ao destino que nos era imposto
E nos nojos, pinçamos pouco desgosto e tantas náuseas, ternas e nauseabundas, intervenientes que fundiram o nosso devaneio.
Existiam cancros e lordoses inteiras, nem históricas se cobriam de intensidade.  

Fomos um tanto, folha paciente!
Foi no tempo de nossos ancestrais, mensurado nas ranhuras, nos meandros Duma névoa outrora esguia, esbranquiçada, altiva e perene.

Chegando assim, ao terreno das coisas imortais, das peles marginais
Alcançamos as linhas do inebriante, do fugaz extremo
Extendemos nosso sumo do imenso ser que nos é oferecido.

Eu em mim, tomei a diretriz
Segui no azimute, no incandescente vital
O importuno e o retorno de uma divindade vocálica
Éramos marionetes, cúmplices do mestre supremo.

Legados em torno dum mundo tórrido, muito além de nossos princípios
Não compreendíamos essas entrelinhas
Abaixo assinávamos apenas aos nossos próprios insubordinados
A intensa mis da vida a nos impelir risos e, sempre lisos meios de sermos nós mesmos.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 07/07/2006
Alterado em 15/07/2006
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