Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

Eu Fiz, Tu Farás
Fiz do azul, pelourinho
Do alcaçuz, remédio
Para açoitar sem ferir
Para assoprar sem brunir.

Fiz da vida, jarro seco
Da lua, intrépido medo
Ser quase é ser inteiro
Ter costas, altaneiro.

Fiz do casaco, frio
Dos amores, desafio
E o tempo a esperar com pressa
Cedeu-me facas a amolar tristezas.

Fiz da idade, exuberância
Do cacau, verdade
Peles rastejam como sacis
Amontoam-se a tocar do rosto, o céu.

Fiz o que as horas fizeram de mim
Posaram de extinto estopim
A debruçar-me o remorso subtraído
A solapar-me como rio esquecido.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 15/08/2006
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