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O Tempo Perdoa
Ontem, eu vi a face do tempo
Pusilânime sobre mim Atenta aos espasmos grotescos Com a lustrosa adaga, retalhou-me. Foi minando as éguas em pleno estro Correu pra perto, com seu lado funesto Desgostoso e abominável, fugiu de mim a bóia Não estive na retenção das forras, virei ao avesso. A face do tempo carregava sobre o pescoço, a estrábica cara da morte Sorria bocas de padres almiscarados, gosto de vidas infames Não pude compreender suas eruditas línguas, dialetos prásinos Mas, pude fitar os olhos de foice, a despetalar vaidades. O semblante pescado promoveu bovicídio da dor A pena lancinante a galopar e a galhofar, trouxe-me um pacote Prescrito e vacinado ao tempo do antídoto Coagulou minhas angústias, ao rosto do perdão.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 16/08/2006
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