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Auto da Paixão
Soprávamos resto de escórias marcadas
Sob o oco teto da lua fingida; Éramos tapioca e geleira Espermatozóide e pejo; Sentíamos o outro como se aprecia figos Peças soltas, pela metade, passavam por nós; À luz do lampião, sacolejavam fugazes colchetes Cegos e intensos, potentemente catastróficos; O chão raspava ardido como a barba no colarinho E o rio, de fininho, comia as águas da mansidão; Assumíamos a autarquia da decisão E imputávamos na lajota dos sorrisos, pérolas; À riba, subia o moço de calção com destemperos tais Fruto e escravo de dons geniais; Enquanto o frio, rasgando o estro do anoitecer Cedia-nos de volta o pejo, a célula e a paixão.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 16/09/2006
Alterado em 29/04/2007 Copyright © 2006. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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