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Poeta de Cera
E eu que não queria sentar e escrever
(objetos e vísceras ririam de mim) Versos incorruptíveis entornariam da mente E os éticos preconceitos murchos Torrá-los-ia e moê-los-ia com minha insana ira; Com pesares e nódulos, morreria mansinho Sob a penteadeira do quarto Com minha alma vazando. Ter-me-iam de dar seus suplícios derradeiros Com falsa e imensa fúria Aos meus gélidos pés, um abrigo marmóreo; Não caberia a minha alma em esquife comum Trar-me-iam gerânios em vez de cravos (fixar-me-ia em abraço simbiótico aos presentes) Forneceria por meus mais polidos laços de afeto Um espasmo de sorriso mórbido (desses que fedem à parafina liquefeita). Teriam, ao rés dos anos, migalhas intumescidas A lançar no oceano das rasuras (suas lisas fontes de espírito, e impuras); Ah, vida erudita e mesquinha a pôr de lado meu verso! Dá-me o acético do teu ósculo que irei à paz Olvida-me os dias, rasgados a fio, em companhia das letras Perquira os céus a encerrar-me consolo; Certamente encontrará uma mesa, um lápis e um rascunho.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 23/09/2006
Alterado em 17/04/2007 Copyright © 2006. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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