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Missa de Sétimo Dia
Silenciei.
Assumi o escarlate que me desenhava, amputei a pútrida algema e faleci. Deitado sob a mais fétida sombra, outrora vazia, que fazia marca sobre o esquife do barril de ranço, intensifiquei graus helênicos de pudores no parvo solo e me estatelei. Rugas derramadas no mel da noite tentavam-me ressuscitar. Era o apelo do apego em detrimento à pesarosa sorte de morte e polvorosa. Uma só vida jazia no manto cálido; lembranças tornavam o velame escuro inda mais indecifrável, e metiam a cara lixada na friável manhã – instável afã – a cozinhar o galo para a santa e aguardada missa de sétimo dia. No dia seguinte, tudo se repetiu.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 13/10/2006
Alterado em 03/10/2007 Copyright © 2006. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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