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AO LEITOR
Às vezes, minhas lágrimas ousam flertar com a morte
Uma morte rala, descorada, sem toda a sorte que a persegue em vida; Temo pelas façanhas advindas deste flerte, pouco envergadas, enviesadas Assim é o tino que me conduz ao solto: tolo e leso. Desses espíritos a rondar a noite de feto, as risadas poupam-me das explicações. E, com seus galões de ácido, movem a acolchoar meus pensamentos entre as pernas do desvelo. Não tenho medo. Tenho a escada, mas não me primo em compor os degraus. Não posso ser menos. Bebo o holocausto que verte da taça, mas o faço com destemida graça (a toalha embebida em zomol me inveja com aquele olhar de assombro). E quantos estão neste espetacular marasmo? De quantos tenho de me esquivar a fruir o dia? Dez dias e um minuto se passa; um avião no alto da cordilheira bate o pino seco de óleo. Recebo o ósculo da ganhadora do Oscar e me intero no holístico. Ora, puxa! Devido a isso, não sou bem quisto. Meus inícios roubam as salsichas dos pães; levam-nos aos imãs tomadores de conhaque que absorvem a magia do sol espelhado. Então, o que sobra? O talvez, o leitor e a obra.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 04/12/2006
Alterado em 23/04/2008 Copyright © 2006. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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