Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

Minha Prosa
Escrevo-me
E somente para mim, tenho de escrever
Sou eu que apanho as flores no quintal
Sou eu quem aperta os acúleos sem sal
Sou eu que me iludo
Sou eu que escuto as dores das placentas
Donde brotam serenas letras raspadas sem mel.

Escrevo para o alto cume dum firmamento infinito
Sou assim e somente assim terá de ser
Liquido cores desta tela evasiva (um amor se ocultou)
Percebo histórias de sonhos sem colarinho
Retenho as forças, atmosferas e estrelas
Não há ouvinte quando chora a castanheira
Não há rumor ao expor do líquido.

Escrevo assim, despretensiosamente
Num balde de vômito, afogo as sereias
Seriam cantos meus os seus cantos
Seriam ossos férteis os seus cadáveres plúmbeos
Escrevo em semitons, com agouro acético
Assim perturbo meu sono com páginas inéditas
Outrossim, perquiro alamedas de consolo e tal.

Escrevo, então, só pra mim
Enquanto, desleixadamente, molha a cabeça da pessoa
O entorno quente do sangue que fervilhou num pranto
E se enganou em vão (às vezes, acontece!)
Posicionando minha fronte ao espelho
Anunciando a hora de estancar o chorume
E de remover as escórias que compõem minha prosa.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 11/03/2007
Alterado em 16/03/2007
Copyright © 2007. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras