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Dia de Fel
Meu coração em pulsar descontínuo
Freia nas noites de cheia, anervia Encontro solapadas flâmulas Perpétua batalha entre a cinza e o gris Intenso marmorear das frases. Não mais caibo nas páginas Aprisionado em floresta pesada, páginas amareladas Rugas de travesseiro e a lâmpada da morte me riem Pareço galho ressequido, farda sem insígnia Um horizonte de lagarta medideira, sinuoso. Às vezes encontro-me cambaleante camaleão sem escamas Versos de margarina roubam-me as possibilidades Noto o buzinar do tempo, o encavalar das horas Gotas de arsênico em doses resfriadas, cavalos e nada Só pavonadas amarguras engalanam meu céu. Reviro a cara no tapete incolor Não presumo escoliose verbal Dou-te a ti, dia de fel, singelo recado: Vá-te babujar com essências filtradas (existem infinitas por aí) E se esqueça dos meus versos, pela tarde que se vai.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 23/04/2007
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