![]()
MORTÍFERA
Condeneis a marcha a tocar em vosso velório
Com hálito de chiclete, no rufar das narinas Sabeis que ali, no esquife úmido Reinará, por dias, a lapela desbotada; Uma fúfia parte, uma alíquota de tudo que fora Nada deverá restar, então. No ar denso e repelido do adeus Poucas palavras, no bater da aldrava Quimeras laxativas ditas pelo pároco Parentes de Da Vinci em suas megalomaníacas criações Sabemos que as canções relaxam E teimam em nos lembrar de que somos lixos. Ali estático, corre intensa sangria Gotas de plasma inundam a camisa É o teu ‘eu’ a se perder, descalço Entre pares de inverdades, o espasmo derradeiro De modo certeiro, a Periplaneta infiltra Rasga a carne ao fungo e às bactérias que chegam para a ceia.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 05/06/2007
Alterado em 17/11/2008 Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|