Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

Ó BEATITUDE!
Ó beatitude!
Ó mais rara linda e bela beatitude!
Das pratas és ouro a fluir pela essência
És a casta e vasta amiga
Da letra mais rala à mais profunda vala.

Ó beatitude!
Escapas-me no átimo no qual em ti penso
Não presumes o irremediável mal a causar na nau que singra
E arfa num horizonte gris de chumbo e violetas rosáceas.

Ó mais magnífica e escultural beatitude!
És a cinza, baixa do holocausto
És ‘portanto’, és ‘quem sabe’
Glorificas tumbas as quais deito sem saber do jeito
Por mais abrandada que sejas, há na mina o cobre olvidado.

Ó minha mais reles ou escarpada forma de dizer ‘que belo’!
Por ti, derramo zomol no mel, embriago o véu
A menos que resolvas, um dia, morrer-te
A menos que saibas do vago bornal à imagem de minha ilusão
Por mais luxo a lhe escapar entre as vísceras...

Choro-te, beatitude!
Mastigo balas de festim nos cantos gregorianos
Lastro nuvens e apeio-as em macérrimo verso
Encantado com teus vértices eólicos, lanço âncora
Contemplado com tua ira cativa de alcova, ranço em chamas.

Ó mais discreta e mundana beatitude!
Sou inerte à tua inobservável pungência, de fé e de alho
Olho os dias rachando, enquanto brota tua era de cadáveres
Não hei em Marte por ti, não hei
Castrá-la-ei por teus irmãos, ó minha majestade!
Por tolher minha face, por escumar meus pecados.

Ó minha mais ébria de lisura, filha do apocalipse!
A ti, não mais recorrerei...
Não carecem meus versos de sua inestimável presença
Serei seu concorrente neste escalada em ramo rente
Numa tarde esguia, semi-manchada, hei de tê-la
E erguerei do féretro a tampa a inundá-la com minha impiedade
Quanta maldade!
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 06/06/2007
Alterado em 17/11/2008
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