Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

DOCE EM SOLIDÃO
Sem montar-se em pureza ou prosódia
É o fervor que arrasta o barco carente
- pesado pra qualquer esforço -
Mancha de lama a barra descalça inteira.

Nos dias em cujas marés varrem calçadas
Sorri-me o vento sereno, arguto e danoso
- pode até cantarolar a rola que no fio pende –
Parece adivinhar a solidão, semente ao solo.

Assim, sem calço, salpico de idéia a folha
Não me são sujos os ocelos nem os escárnios
- haveriam de ser modestos? –
Ouço o frigir daquela pêra flambada no tacho de ferro.

Dois cheiros me seqüestram a lucidez da alma
A cor do beijo latente estampado em seu rosto, açoita-me
- amá-la por debaixo do fino avental, cogito –
- a tomar das calosas a colher de pau, um luxo!
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 09/06/2007
Alterado em 17/11/2008
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