Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

A LUTA, A CRUZ E O LUTO
Havia de estar enlutado
Com as golas embebidas em sujeira
Memória duma forja assistida
A Porto regada, mais vago que a areia.

Ouvia o resquício insano
Caso de adestrar baleia
A moça pelo vil encanto
Casquilho de derreter em lume.

Da cinza, brotou a inocência
Da espingarda se fez fuligem
Da gente a comer alvoroço
Coser a seda, manso desgosto.

Ousou emplumar do coiote a pele
A encobrir tenebrosa ousadia
Um jarro entornando chorume
Com mel passado a faca.

Só carecia estar de luto
Por mais silvos que endereçasse ao mar
Por mais cárcere a se fazer liberto
Sua cruz inda vagava por perto.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 27/08/2007
Alterado em 23/04/2008
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