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A ROSA E A VIDA
Dai-me a rosa, imaculada e extravagante
Para doá-la aos meus inúmeros cúmplices Dai-me cedo, com bastante aceto Para enterrá-la perto dum poste escuro Onde o galo dança, donde brotam losnas. Dai-me a rosa, mas dai-me prófuga Para ficar com vontade de me ter – sonhando De suas lendas escarlates e clandestinas que o destino preza Dai-me franca e direta a me amordaçar com sal e compaixão Sinceramente, sem a rosa não logro perdão; sem seu cheiro, então. Dai-me repleta de ira, verdejante no ano que chega Assim, terá mais véu todo o esplendor; agregar-se-á mais valor Dai-me mais enigmática que a vela que ascende ao mastro Dai-me por debaixo da escada, enquanto escrevo Pelo sorriso que trazes no canto, sei, dar-me-á. Dai-me a rosa, logo, quase já Pois necessito sorve-la antes de descartá-la Com toda sua melindrosa inquietude, dai-me agora Meu coração, à ufa, implora! Ante os sons, perante Março, Junho ou Setembro Dai-me a rosa no alto calado de Dezembro Quando as tintas correm, quando os cios gritam. Veja bem, feto e companheiro Se não me der a rosa íntegra, mantenha seus estames Haverei de tê-los como sopro da imaginação Em tudo que farei, mais nos solstícios Mas, caso não queira dá-la a mim Aconselho-o a procurar mais apropriados versos A compor, desmesuradamente, a serenata da vida.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 21/11/2007
Alterado em 24/04/2008 Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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