Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

MEU DESPERTAR
Nesta levada da alma, sem igual
Lanço meus tentáculos coxos ao mar de amar
No véu estendido, um interlúdio me toma
Ouço misérias duma dúzia de conchinhas transparentes
Muita cara parece estar ausente; algemando-me na dor
Ao libertar mais profundo desta vil, doce e lenta solidão.

São meninas as minhas vontades
Despeço-me das idades, com quem desperdiça a flor
Assim, pareço me eternizar, mas rôo ilusões
Destas manhãs aleitadas, sobram os caldos, tórridos
Já não há viagem que não se tenha força subliminar
Outra vez, meu despertar!

Rouba e nina silêncio meu, todo esquivo por dentro
Fedendo a alho; contudo, escuto seu gemido em bemol
No átrio mais ermo do meu peito largado, passado a ferro
Sinto, feroz, o cheiro da goma mascada e expelida, a ingenuidade
Que me arde, me punge e me abate todas as vezes que durmo
Todas as vezes que me reúno comigo na sala de estar do pensamento.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 18/12/2007
Alterado em 24/04/2008
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