![]()
MEU DESPERTAR
Nesta levada da alma, sem igual
Lanço meus tentáculos coxos ao mar de amar No véu estendido, um interlúdio me toma Ouço misérias duma dúzia de conchinhas transparentes Muita cara parece estar ausente; algemando-me na dor Ao libertar mais profundo desta vil, doce e lenta solidão. São meninas as minhas vontades Despeço-me das idades, com quem desperdiça a flor Assim, pareço me eternizar, mas rôo ilusões Destas manhãs aleitadas, sobram os caldos, tórridos Já não há viagem que não se tenha força subliminar Outra vez, meu despertar! Rouba e nina silêncio meu, todo esquivo por dentro Fedendo a alho; contudo, escuto seu gemido em bemol No átrio mais ermo do meu peito largado, passado a ferro Sinto, feroz, o cheiro da goma mascada e expelida, a ingenuidade Que me arde, me punge e me abate todas as vezes que durmo Todas as vezes que me reúno comigo na sala de estar do pensamento.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 18/12/2007
Alterado em 24/04/2008 Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|