Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

E SE HOJE FOR A VÉSPERA DA MINHA MORTE?
E se hoje for a véspera da minha morte?
E se o ar que engulo já intumesceu meu peito?
Não haverei de ser eu o único
Não figurarei só entre flores e lamentos.

E se hoje for a véspera da minha morte?
E se as escuras pessoas que me rodeiam não se dessem conta do meu sumiço?
Estarei eu em lado sereno ou entre as frestas dos seus sorrisos.
Chorarei com os olhos de criança ao ser vidiado em minha cara frouxa.

E se hoje for a véspera da minha morte?
E se minha carcaça não suportar a carga extra que me recai
Apelarei aos avizinhados a me fornecerem átimos adocicados
Achacar-me-ei por serem estas as últimas horas.

E se hoje for a véspera da minha morte?
E se for o dia da minha morte?
Ontem, não foi!... Ou foi?
Pensando bem, aqui está tão escuro, tão frio e tão silencioso.

E se eu já estiver morto?
E se o que eu escrevo agora, faço-o com o pitaco da alma penada?
Uma coisa, alcanço:
A vida anda ladrando e margeando a morte todos os dias
Basta olhar pela janela.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 19/01/2008
Alterado em 24/04/2008
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