Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

MEU OCEANO
Assenti magnífico verbo como cantei na chuva
Coligi hipócritas sandices crônicas, pouco cômicas
Reparei que marulhavam gotas a descer pela pia
E que causavam febre ao meu coração.

Trouxe à vida, maneira de me sentir mais próprio
Cordial e irresoluto como o atobá de patas azuis
Cujo tom moveu-me a anuir o estrondo desta picardia
E o barco, tombando a boreste, esquivou-se do sopro.

À providência foi minha ébia de existir
Não havia faróis ou estavam desligados
Cegaram-me vozes rotundas e desordenadas
Parecia escarlatina quando avermelhou meu boletim.

Bati no recife como quem desembarca em Portugal
Pobres letras da minha prosa!
Retumbam, assépticas, tal fóssil no Kalahari
Trazendo-me cá, enquanto cerra as rótulas meu oceano.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 12/04/2008
Alterado em 23/04/2008
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