Fortuna Literária - Cesar Poletto

Poetizar é exteriorizar, é exaltar o belo, e, acima de tudo, embriagar-se com a vida.

Textos

AS PÁS DO TEMPO
Às vésperas da pulverização marmórea
Que caos me traz este emoldurado sentimento?
Hora marcado pela dor – com tudo que chora
Hora tardia lograda pelo ódio de amar.

Crenças do confucionismo
Uma pêra em calda de lágrimas: um alento
São mais minhas as fuligens que impregnam o corpo
Que das vaidades a desocupar a mente pescadeira.

Não há nuvem, por mais escassa que ouse desfilar
Não há mais o lodo rançoso que o medo de passar
Em ti, caleidoscópio itinerante, ancoro meus pensamentos
Movendo-me ao céu, à ufa, à uma alma deslumbrada e pesarosa.

Em meu instante célere, a precisão de que preciso
É o ás ocultado em mangas salinas, em sardas alegres
Quando o colibri – por dentro destas linhas infames –
Assoviará à janela em momento de êxtase, fazendo-me inchar.

Esse inchaço reduzirá o fleimão pungente [e pensante]
Ordenará ao sonho que jogue mais uma vez a velha rede
Esta, por vez de fazer ouvir, abrirá mais uma porção de desordenados rombos
E estes... Ah, estes!
Seguirão movendo, desmesuradamente, as eloqüentes pás do tempo.
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 12/05/2008
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras