![]()
NÃO É TÃO BOM SER BOM
Não é tão bom ser bom
Como também não é bom ser tão mau O bom tem os ossos frágeis; recuam às inverdades Os maus morrem de velho, não têm idade. Não é tão bom ser bom Em demasia, bondade é certeza de esquecimento Causa putrefação dos órgãos sensoriais e tinge de amarelo a vida O mau solapa montanhas por onde o bom transita. Não é tão bom ser bom Tem as listras das ruas e avenidas, os degraus Os maus se travestem de escada e hão, todas as noites, nas estradas Nem o lume da retina é capaz de ser avistado por tempo santo. Não é tão bom ser santo Viver atado aos cantos, com a língua presa nos cordões Sabe-se que quem come arroba de sal, exaspera-se O mau é seqüestrado por bordões enquanto o bom navega e desliza. Entre umas e outras fábulas, ergamos um brinde ao bom Pois, sem sua pífia existência, o mau não sobressairia Sem as lantejoulas de sua face, os mares não desfilariam tantos desafios Contudo, não nos furtemos em agradecer o mau. À hora dum recado macabro, o turvo vai à esquina ter com o insípido Vai avisá-lo que a renitência de sua soberba bondade esvaiu-se No que atina para o frio, ecoa sem sentir dor, e se transforma em ser Notícias urgem aos berros, e rezam que o bom não vai nada bem!
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 20/05/2008
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|